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Está confirmado. As cozinhas são, de facto, quase de luxo. Depois da suspeita posso afiançá-lo.
Tudo quanto é equipamento… arrumadinho… circuitos definidos. Um brinquinho.
Refeições de luxo, não para quem quer, mas para quem pode. Dez mil euros por dia por um chef de 3 estrelas Michelin dá refeições caras demais para o português médio.
A reportagem até corria bem. Até admito que para os mais distraídos, tudo terá corrido na perfeição.

Para mim, não!
Para mim não, porque: (i) vi adornos, muitos adornos… relógios, anéis, brincos…; (ii) não consegui visionar uma única cabeça protegida… vi, isso sim, cabelos longos, muito longos, dependurados sobre os géneros alimentícios – e já nem falo nas barbas; (iii) vi muitos bolsos nos uniformes, bolsos bem acima dos planos de trabalho, ou seja, acima da cota onde se manipulam os alimentos; (iv) tantas mãos… vi tantas mãos a mexer no mesmo pedacinho minúsculo de comida… as mesmas mãos – quase todas – que tinham os anéis; (v) vi muita gente que nada tinha a ver com a confecção… se antes já me havia admirado por ali andar uma jornalista sem qualquer tipo de protecção, agora, depois de ver toda a reportagem, posso afirmar que além da jornalista, do operador de vídeo e dos respectivos assistentes, também consegui ver um ou dois fotógrafos, que julgo serem alheios àquela equipa de reportagem… gente a mais num local de laboração daquela natureza; (vi) às tantas, ainda vi alguém – deduzo que fosse um ajudante de cozinha, ou de chef – a apanhar um pano do chão e a colocá-lo sobre um bancada de trabalho; (vii) por último, mas não menos relevante, eis que temos o “nosso” chef Dieter Koschina, o único a exibir as duas estrelas Michelin em Portugal, a mostrar a colher… a sua colher de provas – esta não é de pau – que o acompanha sempre… pergunto se será sempre a mesma…

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Imagem recolhida no Junião.

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