Foi considerado pelo Tribunal da Relação de Lisboa como justificado e legítimo o despedimento de um cozinheiro infectado com HIV que trabalhou, durante sete anos, no hotel do Grupo Sana Hotels. Foi então confirmada a decisão já tomada pelo Tribunal de Trabalho de Lisboa.
No acórdão pode ler-se que “ficou provado que A. é portador de HIV e que este vírus existe no sangue, saliva, suor e lágrimas, podendo ser transmitido no caso de haver derrame de alguns destes fluidos sobre alimentos servidos ou consumidos por quem tenha na boca uma ferida”. Foi esta a razão apontada pelos magistrados que os levou a concluir que se continuasse a ser cozinheiro representaria “um perigo para a saúde pública, nomeadamente dos utentes do restaurante do hotel”.

É nestas alturas que me sinto deslocado.
É nestas alturas que me interrogo se se justificará continuar…

Quantos de nós terão já ido às escolas falar sobre este tema? E quantos de nós é que utilizam, de forma recorrente, o velhinho discurso que dá conta de que o risco de transmissão do vírus HIV é mínimo, se tivermos em conta a não assumpção de comportamentos de risco?

Quantos de nós é que estarão a pensar que esta gente foi alvo de doença rara, tipo imbecilidade viral, mais mortal que qualquer HIV??

Posso então deduzir que os senhores magistrados não têm dentes cariados, não comem em restaurantes, bochecham e gargarejam, com qualquer solução desinfectante (??!!), antes de deglutir qualquer pedacinho de comida ou, em última análise, têm acesso aos ficheiros clínicos dos seus empregados, que lhes preparam as refeições.

Leiam tudo acerca desta… !!&?%=@;<..., se ainda houver paciência para tal, aqui, aqui e aqui.

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Imagem recolhida em WarShooter.

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